sábado, 29 de junho de 2013

Jornal Correio da Tarde fecha as portas


O Jornal Potiguar Correio da Tarde, que ficou 7 anos em circulação, encerrou suas atividades na última sexta (28/06), a redação do Correio da Tarde emitiu uma nota alegando o motivo da decisão.

"A direção do jornal CORREIO DA TARDE informa que encerra a partir de hoje a sua circulação. O jornal deixará de existir por uma série de fatores que estão acima dos nossos desejos e esforços para continuar essa história que tão bem fez ao Rio Grande do Norte em seus mais de sete anos de existência.

As dificuldades para se fazer jornal são do conhecimento de todos. Os anúncios estão cada vez mais escassos, o número de assinantes diminui vertiginosamente por conta da facilidade do acesso ao conteúdo, gratuitamente, via Internet. Os custos crescem em escala exponencial, enquanto a arrecadação com as vendas nas bancas e de propaganda está praticamente no mesmo patamar há anos.

É fato que todos os jornais enfrentam essa dificuldade e alguns precisam fazer malabarismos editoriais para sobreviver. Este jornal optou por não seguir essa linha. Manteve-se, em todo o seu período de existência, na condição de baluarte na defesa dos interesses da sociedade, uma voz incansável contra as injustiças e perseguições.

O jornalismo coragem tem um preço a ser pago e nós entendemos isso desde o primeiro dia em que entramos em circulação. Mas, como o diretor-presidente Walter Fonseca disse na abertura dos nossos trabalhos, este jornal circularia até o seu último dia sempre com a marca da credibilidade. Chegamos a ele com ela intacta. E disso nos orgulhamos.
Sofremos injustiças, desvalorizações, descompromissos. Mas nos mantemos no mesmo diapasão, sem medo de dar a notícia, sem amarras ideológicas, políticas ou financeiras. Fizemos jornalismo com J maiúsculo.

O dia de hoje é triste para nós, do CORREIO DA TARDE e, também, para o jornalismo brasileiro. Quando se fecha um jornal, a sua visão de repórter da história acaba interrompida. É como se queimássemos uma biblioteca inteira que ainda estava para ser escrita.

Ao mesmo tempo, é dia de agradecer a todos os colaboradores que fizeram deste CT, em seus sete anos, dois meses e 17 dias de existência, um dos jornais de maior repercussão neste Rio Grande do Norte. A todos os editores, repórteres, impressores, diagramadores, pessoal de apoio. Cada um escreveu uma página nesse livro, que tem fim agora, mas que certamente será lembrado para a eternidade. Não temos dúvidas de que o jornalismo feito aqui, mesmo com humildade, mas com muita raça, ainda será lembrado por muitas gerações.

A direção deste CORREIO DA TARDE deixa aqui, principalmente, o agradecimento a você, leitor, que nos fez chegar até aqui. Se sobrevivemos a todas as intempéries e chegamos a este 28 de junho, foi graças ao seu apoio. O mesmo devemos dizer aos nossos assinantes e anunciantes, figuras importantíssimas em toda a nossa trajetória.

Orgulhamo-nos da história que escrevemos e, apesar da despedida, vale lembrar Fernando Pessoa e sua célebre frase no poema Mar Português: Tudo vale a pena, se a alma não é pequena."

A direção

O Correio da Tarde foi fundado em 10 de abril de 2006, por José Walter da Fonseca, circulou simultaneamente em Natal e Mossoró, a redação de Natal foi encerrada em 16 de abril de 2011, pela falta de leitores. Foi às bancas a última edição mossoroense nesta sexta-feira.


O Jornalista e Colunista Pedro Carlos, que prestava serviço para o Correio da Tarde, externou o seguinte em seu Blog:

Jornalista Pedro Carlos / Foto: Reprodução

"Ninguém começa o dia pensando que este será o seu último. Na verdade, nós humanos só temos uma certeza na vida, mas estamos sempre a empurrando para o mais longe possível. Quando falamos em morte, é sempre a dos outros. Nós sempre viveremos mais. E é por causa dessa perspectiva que a edição de hoje é no mínimo estranha para mim. Escrever na última edição deste CORREIO DA TARDE significa um ponto final em algo que, confesso, não esperava ter visto.

Quem gosta de jornal, como eu, tem no seu fazer diário um exercício de cidadania. O olhar do jornalista sobre a cidade, a sua perspectiva dos fatos, as denúncias, a busca por soluções, tudo isso vive no dia-a-dia desta profissão apaixonante, embora muitas vezes ingrata.

Ingrata porque mesmo diante das novas tecnologias, ainda via muito tempo de vida para este jornal. A começar pela sua proposta inovadora, de unir Natal e Mossoró em uma mesma redação. Quando aqui pisei pela primeira vez, em primeiro de dezembro de 2007, fiquei muito impressionado com a interação entre as equipes. Um jornal verdadeiramente moderno. Apesar da distância entre as redações, elas funcionavam como um relógio suíço – claro que de vez em quando com os inevitáveis atropelos. As páginas feitas lá e cá seguiam uma sincronia que me fez ter orgulho de fazer parte dessa história. Pensávamos Natal e Mossoró sem a dicotomia tão usual da nossa imprensa.

Infelizmente, as intempéries do mercado acabaram por trazer inúmeras dificuldades que foram minando a ideia original. Mesmo diante do esforço de Walter Fonseca, a falta de apoio principalmente de quem mais lhe prometeu, acabou por levá-lo a fechar a redação de Natal. E hoje, em por fim definitivamente a este jornal, também fechando a redação de Mossoró.

Agradecimento
Eu só tenho a agradecer a Walter por ter me dado essa oportunidade. Estava em um momento difícil da minha carreira, sofrendo perseguições, que tentavam evitar que eu trabalhasse em qualquer redação. Antes do CT, recebi convite de uma emissora que acabou “desistindo” após uma ligação estranha de uma detentora de mandato local. A recomendação era para não me contratar. É, caro leitor, essas coisas acontecem em Mossoró.

Mas, como sempre, Walter deu de ombros para esse tipo de coisa e decidiu apostar em mim, apesar de um momento de relação conturbada que tivemos no passado. E a aposta, creio, deu certo, afinal de contas estou aqui, cinco anos e sete meses depois contando a história nestas mesmas páginas.

Não posso deixar de agradecer também aos colegas que estiveram comigo quando cheguei como editor de política, depois como editor-chefe e agora novamente como editor de política. Tive da parte de todos muitas demonstrações de companheirismo e lealdade. Peço desculpas por qualquer erro cometido no relacionamento diário. Sou falível, como qualquer um, e tenho humildade para pedir desculpas quando necessário.

Encerrando
O encerramento das atividades de um jornal é ruim para a cidade porque é menos uma fonte de informação, menos uma fonte de opinião e, principalmente, é menos uma tribuna cidadã. Lamentamos por isso. A nota que vai na capa deste jornal resume bem: quando um jornal fecha, estamos queimando uma biblioteca que ainda estava para ser escrita. O jornal é um livro produzido diariamente, com a vantagem de tratar de histórias reais.

A você, caro leitor, que me acompanhou em todo esse tempo, quero deixar meu agradecimento especial. Não existe jornalista sem leitor. Seria o mesmo que um padre sem fiéis, um professor sem alunos. Sem você que me lê agora, a nossa atividade simplesmente não existe. Muito obrigado por todo o reconhecimento, por fazer essa coluna ser uma das mais importantes deste jornal, por nos dar um prestígio que talvez eu nem mereça.

Quero encerrar essas palavras com a certeza de que, apesar da tristeza que carrego no coração hoje, ao mesmo tempo tenho dentro da minha consciência a sensação de dever cumprido. Faria tudo de novo e não me arrependo de nada. Porque não há como se arrepender de ter feito parte de uma história tão bonita. Um grande abraço a todos!"

Samuel Williams - Da Redação/Apodi
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