domingo, 22 de junho de 2014

Moradores sofrem com racionamento de água após deslizamento em Natal

Moradores precisam armazenar água (Foto: Alberto Leandro)
Por Saulo de Castro / Portal No Ar
Fotos: Alberto Leandro

Além do desmoronamento que ocasionou a destruição de mais de 20 casas, deixando outras em estado de risco, a população da Rua Guanabara, em Mãe Luíza, nas proximidades da região afetada estão tendo que enfrentar o problema da falta de abastecimento de água, que foi interrompido na área.

A maioria das casas foram desocupadas por orientação da Defesa Civil, mas os poucos moradores que ainda resistem no local, estão sofrendo com os efeitos das destruição causada pelo deslizamento de terra que devastou boa parte da localidade.

É o caso do comerciante José Augusto. Morador da Rua Guanabara há mais de 56 anos, ele conta que essa é a situação mais tensa vivida por ele em todos esses anos. Segundo ele, assim como os outros moradores da região, também deveria ter deixado sua residência, em virtude do risco iminente, mas para não deixar sua casa desprotegida, ele e sua família resolveram enfrentar o risco.

Porém para se manter no local, seu José conta que teve que improvisar. Sem água e energia, ele teve que contar com o apoio de amigos da Rua Atalaia, área que não foi afetada pelo desabamento. Com uma mangueira ligada à torneira do vizinho da rua de cima, ele consegue puxar água suficiente para abastecer seis casas, com um total de 12 pessoas.
Armazenada em uma cisterna comprada com a colaboração de todos, a água é dividida e o custo da conta no final do mês rateado entre eles. Seu José conta que o que faz ele e sua família enfrentar o risco é o medo de ver tudo que eles suaram para construir ser saqueado por oportunistas.

De acordo com outros moradores, desde que o acidente aconteceu e as casas tiveram que ser desocupadas, têm sido constantes os saques na região. A associação de moradores do bairro chegaram a fazer um protesto cobrando mais segurança às autoridades. “Não era nem pra gente estar aqui, mas não vamos abandonar nossa casa e tudo o que conquistamos com sacrifício”, disse.

De acordo com o engenheiro da Caern, Raulyson Araújo, a companhia está trabalhando para normalizar a situação, mas o reabastecimento depende dos trabalhos de reconstrução da área afetada. Segundo ele, as casas prejudicadas com o racionamento de água são apenas aquelas que estão no perímetro de risco estabelecido pela Defesa Civil.

Segundo o secretário adjunto de operações da Secretaria de Obras Públicas, Caio Pascoal, as equipes estão trabalhando para restabelecer o solo e o esgoto e com isso evitar a erosão. “Dentro de 15 dias, mais ou menos terminamos esta parte e daremos início ao processo de revitalização da área”, declarou.
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