quarta-feira, 4 de março de 2015

Audiência Pública discute direitos dos remanescentes indígenas

Da Redação / SOS Notícias do RN
Foto: Ariverton Oliveira

Durante a tarde desta quarta-feira (04/03), a Câmara Municipal de Apodi realizou uma audiência pública com o objetivo de discutir os direitos dos povos remanescentes indígenas de Apodi. O evento contou com a participação de representantes do CHCTPLA (Centro Histórico Cultural Tapuia Paiacus da Lagoa do Apodi). Os descendentes reivindicam a retomada de terras, que ficam localizadas no Bairro Bico Torto em Apodi, que hoje pertencem a um empresário local.

A presidente da entidade, Lúcia Maria Tavares, declarou a nossa reportagem que a audiência foi de fundamental importância, uma vez que a entidade busca a construção de um museu para abrigar peças líticas, tendo assim objetos bem preservados e consequentemente mantendo a história indígena viva. Lúcia, afirmou que o povo indígena de Apodi tem que ter o seu espaço por direito.

"A gente quer formar a nossa comunidade, pois é de direito milenar. Vamos marcar outra reunião para chegarmos a um acordo com o poder público", disse.


Na ocasião, Lúcia relatou sobre a história de Apodi. Concluiu pedindo aos vereadores um apoio para manter o centro cultural legalizado para assim buscar projetos que beneficiem a população indígena, a mesma disse que não tem dinheiro que compre sua dignidade e que só quer manter a história de seu povo viva.  

A professora Mônica Freitas, vice-presidente da entidade, relatou que sempre se emociona com a história de vida da colega Lúcia, afirmando ter orgulho de ser descendente de índio, inclusive do seu pai de 86 anos, que tem nas suas origens o sangue do povo indígena. A mesma relatou que a população indígena não quer se autodeclarar por medo do preconceito e da opressão que os índios ainda sofrem nos dias de hoje. Colocou em evidência a questão da autoafirmação.

"A autoafirmação é um dos pontos principais, porque não existem mais índios puros. Então, você não pode pegar uma pessoa com o caráter puramente indígena e dizer que ele é índio. Hoje, isso só funciona através da autoafirmação."


O evento também contou com a presença da
 professora Sara do IFRN, que reafirmou o discurso da professora Mônica, e destacou a importância da história do município de Apodi. Saudou a luta de Lúcia Tavares, deixando o Instituto Federal à inteira disposição.
Carla Lemos, coordenadora do COEPI (Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), frisou que um povo sem memória é um povo sem história.

"Apodi é uma cidade pioneira na questão de trazer à tona questões de identidade que ninguém quer reconhecer. A cidade estava entre as cinco missões fixas que se teve no período da colonização. E se existiam missões fixas é porque existiam índios. É lamentável que as pessoas não conheçam sua origem”, discursou.

Graça Lucas, técnica da COEPI, representante do movimento negro há 35 anos, considerou 
plausível a luta da entidade.

A audiência foi marcada pela ausência do poder executivo, o que gerou uma chuva de críticas ao prefeito Flaviano Monteiro. Ainda que o mesmo tenha enviado um representante, o secretário de Turismo, Júnior Costa.

O presidente da câmara João Evangelista Mendes, lembrou que o atual prefeito é professor de História, e que era de grande importância a presença do mesmo no evento, pois ele seria a peça chave para a discussão.

João Evangelista, destacou que a audiência foi umas das mais importantes na história da casa.
Essa é uma das mais importantes audiências, pois está marcada pelo povo que representa a nossa história”, destacou.


O vereador Laete Oliveira, evidenciou a importância da participação da FUNAI no centro, e que foi criador do projeto de lei que garante a criação do conselho.

José Francisco Neto, representante do MST, 
indagou o representante do executivo.
"Não estou criticando que foi representado pelo secretário de Turismo, mas melhor teria sido representado pela Secretaria da Mulher e da Igualdade Racial. Já que estamos falando de direitos", disse.

O secretário de Turismo, Júnior Costa, representante do executivo na ocasião justificou a ausência do prefeito, dizendo que o mesmo estava em Natal tratando de assuntos importantes com o secretário estadual de recursos hídricos.

O presidente da câmara, fechou a pauta deixando a casa à disposição para o cadastramento dos indígenas.
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